Thursday, August 28, 2008

Speaking the Obvious


Hoje eu tive a oportunidade (tempo + actually remember it) de assistir a uma palestra que eu já tinha ouvido falar há bastante tempo, de um cara chamado Randy Pausch. A palestra toda está disponível no youtube, sob o título 'How to Achieve your Childhood Dreams'. A palestra dura um pouco mais de uma hora, e vale cada minuto. Vejam (porque eu vou falar dela, basicamente).

O pano de fundo desse cara é o seguinte: Ele era um professor de Ciência da Computação na Universidade de Carnegie-Mellon, e trabalhava na área de Realidade Virtual e Interação Homem-Computador. Acontece que ele foi diagnosticado com câncer pancreático, e eventualmente, depois de vários tratamentos sem sucesso, os médicos disseram para ele que ele tinha entre três e seis meses de vida saudável pela frente (ele faleceu em Julho desse ano). Essa palestra é (como diz o nome no youtube) a Last Lecture dele na Universidade. Ele não fala de absolutamente nada técnico (aliás, fora os exemplos da vida dele que ele usa, a palestra não tem nada a ver com Computação).

Em geral, ele dá vários conselhos que teoricamente servem para alcançar melhor os sonhos da pessoa.

So. A primeira consideração que faz sentido se perguntar é, basicamente, who the hell is this guy? Why should I trust him? Even more, why should I trust him but not her?

Bom, se existisse tempo e recursos infinitos, faria sentido aceitar conselhos de todo mundo, porque os conselhos ruins seriam "absorvidos" pelos conselhos que prestam (sim, eu gosto de acreditar que idéias ruins tem medida 0). Mas de qualquer forma, mesmo que elas não tenham medida 0, isso não é tão importante, porque na vida real não existe tempo e recursos infinitos, então uma pessoa é obrigada a ouvir a alguns conselhos e não outros. Simplesmente não tem tempo suficiente para tentar tudo. A questão daí vira: Ouvir quem?

Eu acho que uma resposta que faz bastante sentido é olhar se a pessoa realmente faz o que ela diz (porque se o conselho dela é bom de verdade, porque ela mesma não usaria?), e se funciona. Esse é um ponto bem importante que eu vou voltar depois. Anyway, lendo o verbete desse sujeito na wikipedia, dá para ver que aparentemente as idéias dele fazem sentido (pelo menos mais do que a média, considerando o que ele fez ao longo da vida dele. Os exemplos na palestra só corroboram a idéia de que ele foi um cara bem sucedido, em geral). Tudo bem, então a gente se convence de que não é uma má idéia ouvir o que ele tem pra dizer.

A palestra começa, e ele não diz nada demais! Ao invés disso, ele diz umas coisas óbvias, do tipo "Seja honesto", e "trabalhe duro", e "seja humilde"! A credibilidade dele começa a cair, porque o que ele diz sounds an awful lot like auto-ajuda. Tudo bem, vamos dar mais uma chance para ele, porque o que ele fez parece funcionar. Mas então porque soa como tão ingênuo o que ele tem para dizer? Porque a gente se convence de "Ah, eu não preciso ouvir isso. Eu achei que ele tinha realmente alguma coisa pra me dizer"? 

Eu tenho duas coisas para falar sobre esse argumento: 
1) Aparentemente o óbvio que ele fica falando não é tão óbvio assim, pelo simples fato de que nem todo mundo virou professor Tenured na Carnegie-Mellon ("mas eu não quero ser professor!" Regardless, o meu ponto é que nem todo mundo é feliz e bem sucedido). E 
2) Mesmo que o que ele fala seja totalmente óbvio, é válido e importante falar as coisas óbvias totalmente alto, so that everyone sees the big elephant in the room.

Outro ponto interessante é pensar em motivos pelos quais essas atitudes todas que ele vende na palestra funcionam. Porque ser bom com as pessoas, e honesto, e pensar nos outros, e pedir desculpas sinceramente, se paga a longo prazo? O Pausch acreditava em Karma, ou talvez ele só chama de Karma o seguinte, que faz bastante sentido para mim (eu não me dei conta disso, eu aprendi): Se tu faz o bem para um número suficiente de pessoas, é uma questão de estatística que as pessoas eventualmente vão fazer o bem de volta para ti. E de novo, isso não é wishful thinking. A vida desse cara é um atestado de como esse tipo de atitude funciona, e gera resultados.

Bom, na palestra ele dá alguns exemplos, e fala de umas coisas que eu quero citar:
1) Ele fala que quando alguém te critica, não é para tu ficar chateado, ou irritado, ou não ouvir o que essa pessoa tem para falar. O problema de verdade, segundo ele, é quando tu sabe que tu tá fazendo alguma coisa errada e ninguém te corrige. Nesse caso as pessoas já desistiram de ti.

Hmm, isso é muito bonito na teoria (só deixando bem claro: eu concordo com ele, mas com um detalhe a mais). Dizer o que ele diz assume que as pessoas são infinitamente capazes, em princípio, de ouvir calmamente a todas as críticas do mundo de bom coração. 

People just don't work like that. Se tu tiver passado um mês trabalhando em alguma coisa só para alguém te dizer que está horrível, é óbvio que tu vai ficar irritado pessoalmente com a pessoa. Afinal, existe uma parcela de esforço tua não trivial naquilo que tu fez. There's a stake, um risco, de certa forma tu depende do resultado (se não, não tem sentido estar fazendo whatever). O que diferencia uma pessoa que sabe ouvir de uma que não sabe não é que a que sabe ouvir não se irrita. A diferença é que a pessoa que sabe ouvir, depois de responder no calor do momento, vai para casa, e vai parar e pensar honestamente sobre quais partes da crítica realmente fazem sentido, e vai tentar mudar. Se essa pessoa for realmente especial, ela vai no dia seguinte falar com quem fez a crítica e pedir desculpas (de novo, earnestly) pela grosseria, e vai tentar iniciar uma troca de idéias produtiva para gerar um resultado final globalmente melhor. 
O meu ponto é que as pessoas têm um ego (todo mundo tem), e ele dói. Negar isso adianta tanto quanto enterrar a cabeça na areia esperando que ninguém vá te ver (avestruzes não fazem isso, though). O que adianta é assumir que o orgulho se fere, mas, mesmo assim, ter controle suficiente para entender o que os outros têm para te dizer. E também não é uma habilidade inata da pessoa. Isso se consegue com treino. No começo, tu tem quase que atuar, dizer "ah tá talvez tu tenha um ponto". Eventualmente, tu vai realmente pensar no que os outros têm para dizer, e vai ser totalmente natural se dar conta de que as vezes tu fala bobagem (a semsação de se dar conta que tu tá errado na verdade é bem boa, porque ao mesmo tempo que tu errou, tu sabe que alguém acertou, e assim o problema se resolveu globalmente). E o interessante disso é que vai te deixar muito mais confortável em mostrar pros outros quando eles falam bobagem.

Eu não quero falar muito mais da palestra, porque o Pausch tinha um discurso muito melhor do que o meu, mas eu só quero dizer mais uma coisa, uma coisa que funciona particularmente pra mim. Se alguém te pergunta se tu é capaz de fazer alguma coisa (uma prova, um trabalho, um artigo, uma maratona, whatever), existem três alternativas: ou tu sabe que tu é capaz de fazer isso, o que não tem problema nenhum, ou tu sabe que tu não é capaz, que também não é um problema (pelo menos não um problema do ponto de vista de algo que tem que ser resolvido). O problema aparece quando tu não tem bem certeza se tu é capaz de fazer o que te pediram. Nesse caso, eu acho que faz muito mais sentido responder que sim, tu é capaz de fazer whatever, e depois tu vai lá e aprende. Eu digo isso porque, se tu te considera uma pessoa de palavra, o fato de que tu diz que tu é capaz de fazer alguma coisa quase que determina o fato de que tu é capaz. Não é uma questão de pensamento positivo. É uma questão de teimosia pura. Tu disse que tu ia fazer tal coisa, então tu vai fazer tal coisa. Ponto. Eu fico surpreso como isso funciona como motivador pra fazer as coisas, e como tu te sente bem no final do dia pensando que tu realmente pulled it off.

E uma última coisa que eu vou ser arrogante o suficiente pra dizer que o Pausch não fala na palestra dele. É totalmente essencial saber que tu tá fazendo as coisas, e tomando as decisões que tu tá tomando, pelos motivos certos. Isso significa que tu não deve ser honesto, ou sincero, ou humilde, porque é bonito. Não! Fazer essas coisas só faz sentido enquanto elas funcionam. Se alguém consegue (muita gente consegue fazer isso, actually) sinceramente construir um conjunto de valores que funciona para essa pessoa (funciona == torna a pessoa feliz), a pessoa deve seguir esse conjunto de valores, mesmo que a pessoa roube, trapaceie, e cometa todo tipo de atrocidades morais. Isso incomoda, mas é a verdade. Seguir os valores porque eles são bonitos é meio que nem Teoria das Cordas: é tri bonito, tri elegante, mas não leva a lugar nenhum. A questão que salva o dia, no final das contas, é que honestidade funciona in the long run. It really, really does.

1 Comments:

Anonymous norma said...

parabéns! Que orgulho para mim ter um filho que pensa e age assim!!! Eu sei o filho que tenho. bjs mãe

6:35 PM  

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